sábado, 7 de abril de 2018

Japão ativa 1ª brigada anfíbia desde o término da Segunda Guerra Mundial, gerando controvérsias e críticas

Militares da Brigada anfíbia japonesa em cerimônia no Campo Ainoura, em Sasebo - ISSEI KATO / REUTERS
Por: Redação OD

O Japão ativou neste sábado (7) a sua primeira unidade militar anfíbia desde o término da Segunda Guerra Mundial. A unidade fora criada com o propósito de conter, o que o país imagina serem “invasores das ilhas japonesas”, ao longo do Mar da China Oriental. Tóquio teme os territórios fiquem vulneráveis a ataques da China. Em uma cerimônia, sediada em uma base militar perto de Sasebo, na ilha de Kyushu, cerca de 1,5 mil militares da Amphibious Rapid Deployment Brigade (Brigada de Implantação Rápida Anfíbia) se enfileiraram com roupas e rostos camuflados. As tropas anfíbias são especializadas em força naval e desembarque em territórios considerados hostis.

Tropas enfileiradas em cerimônia na ilha de Kyushu - ISSEI KATO / REUTERS

Os militares realizaram um exercício aberto ao público, que simulou a recaptura de uma localidade, a qual teria sido tomada por invasores. A constituição desta brigada, vem gerando muitas controversas, porque unidades anfíbias podem projetar força militar e podem ser usadas para ameaçar a soberania de países vizinhos, segundo os críticos à iniciativa. O Japão renunciou ao direito de guerrar na Constituição promulgada após a Segunda Guerra Mundial. As forças japonesas não operam seus próprios meios navais desde o término da guerra em 1945, da qual o país asiático saiu derrotado. "Dada a crescente dificuldade de defesa e a situação de segurança em torno do Japão, defender nossas ilhas se tornou mandatório", destacou o vice-ministro de Defesa, Tomohiro Yamamoto, em discurso.

PODER CONTRA A CHINA

Vice-ministro da Defesa dá bandeira da brigada ao comandante da força anfíbia - ISSEI KATO / REUTERS

A brigada é o mais recente componente de uma força japonesa em expansão, que já inclui porta-aviões, navios anfíbios, portadores de tropas e tanques, voltados à disuasão da China, acusada de forçar o avanço pelo território em busca de mais fácil acesso ao Pacífico Ocidental. A China, que domina o Mar da China Meridional e reivindica um grupo de ilhas inabitadas no Mar Oriental, estas controladas por Tóquio, supera o Japão em gastos com defesa. Em 2018, Pequim vai gastar mais de US$ 176 bilhões nas Forças Armadas, três vezes mais que o vizinho asiático. A ativação da brigada deixa o Japão um passo mais perto da criação de uma força similar à Unidade Expedicionária da Marinha americana, capaz de planejar e executar operações no mar longe da base natal. Grant Newsham, que ajudou a treinar as tropas, destacou que, para tal avanço, o país ainda precisa de uma sede conjunta Exército-Marinha e de mais navios anfíbios para carregar homens e equipamento.

*Com Informações de Agências de Notícias Internacionais
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