sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Familiares de submarinistas recebem aos prantos notícia da explosão após confirmação da Armada Argentina

Bandeira argentina com um submarino é exibida em apoio à missão de busca pelo ARA San Juan em Mar del Plata   Foto: AFP PHOTO / EITAN ABRAMOVICH
Por: Redação OD

Os quase 100 parentes dos 44 tripulantes do submarino Argentino “ARA San Juanforam acometidos nesta quinta-feira (23) nas instalações da Base Naval de Mar del Plata da notícia que eles mais temiam, de que o ruído detectado no último dia 15 por aeronaves americanas era a de uma explosão. Imediatamente, a dor tomou conta do alojamento que abrigava as famílias dos militares e muitos disseram terem perdido a esperança.  Em Buenos Aires, o porta-voz da Marinha fechou a cara antes de fazer o anúncio. Na noite de quarta-feira, Enrique Balbi havia informado sobre uma “anomalia hidroacústica” detectada no local do desaparecimento do ARA San Juan, na semana passada. “No momento, não posso confirmar se houve ou não uma explosão. A Marinha está investigando.”

"É a primeira vez que venho à base (naval) e acabo de saber que me tornei viúva", declarou, aos prantos, Jessica Gopar, esposa de um dos 44 tripulantes do submarino desaparecido, após ser informada da uma explosão naquele dia no Atlântico Sul. Fernando Santilli, eletricista do "ARA San Juan", "foi meu grande amor, tínhamos sete anos de namoro, seis de casamento e temos um filho, Stefano, que custou muito até que Deus nos enviasse", declarou em frente à base naval de Mar del Plata, 400 quilômetros ao sul de Buenos Aires, onde os familiares receberam a notícia. O filho do casal tem apenas um ano e acabou de aprender a dizer 'papai' durante sua ausência, de acordo com uma carta postada no Facebook de Jessica.

Itatí Leguizamón, mulher de um radarista do submarino, era a mais revoltada entre os parentes dos tripulantes Foto: EFE/Mauricio Arduin
Disseram que se tratava de um “evento curto, violento e não nuclear”, as voltas dadas pelo porta-voz da Marinha argentina eram na verdade uma tentativa de suavizar a dor de um país. Uma explosão a 430 km do litoral, na altura da Península Valdés, provavelmente destruiu o submarino ARA San Juan e matou todos os seus 44 tripulantes. Itatí Leguizamón, mulher de Germán Oscar Suárez, operador de radar do San Juan, era uma das mais revoltadas. “Eles são perversos e nos manipularam. Nunca disseram a palavra ‘mortos’. Mas o que podemos entender?”, gritou assim que soube da confirmação da explosão.

Explosão a bordo

Enquanto os parentes se consolavam em Mar del Plata, a Marinha argentina tentava explicar em Buenos Aires como chegou à conclusão de que houve uma explosão no local do desaparecimento do San Juan. O embaixador da Argentina na Áustria, Rafael Grossi, especialista em atividades nucleares e membro da Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO, na sigla em inglês), com sede em Viena, pediu ajuda à organização assim que a Marinha perdeu o contacto com o submarino, na semana passada. A CTBTO tem sensores ao redor do mundo para monitorar explosões e verificar se algum país está violando o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares.

A ajuda Brasileira nas buscas pelo ARA SAN JUAN


A Marinha do Brasil já contabilizou 275 horas de navegação, e de acordo com informações do Comando de Operações Navais, 470 militares estão distribuídos entre as três embarcações enviadas para auxiliar a Marinha da Argentina, nas buscas. Foram disponibilizados neste apoio o Navio Polar Almirante Maximiano, o Navio de Socorro Submarino Felinto Perry e a Fragata Rademaker. A Força Aérea Brasileira (FAB) enviou duas aeronaves para auxiliar na procura da tripulação: a SC-105 Amazonas SAR e a P-3AM Orion. Ao todo, 37 tripulantes da FAB participam da operação, onde eles já cumpriram cerca de 50 horas de voo. A aeronave P-3AM Orion do 1º/7º GAv, um quadrimotor de patrulha marítima de longa distância, decolou às 9h (hora local) para realizar um sobrevoo de 6h30 de duração. Juntos, a Marinha do Brasil e Força Aérea Brasileira já contabilizam 325 horas nas buscas ao submarino argentino desaparecido.


A Fragata Rademaker, incorporada à Marinha do Brasil em 1997, possui um sonar de casco Ferranti-Thomson Type 2050, o navio Type 22 Batch tem capacidade de operar com aeronaves de porte aproximado ao do AH-11A Super Lynx - um helicóptero que alcança velocidade máxima de 167 nós e teto máximo operacional de nove mil pés, já o Navio de Socorro Submarino Felinto Perry levou 25 mergulhadores escafandristas (especialistas em mergulhos de grande profundidades) até o local do último contato feito pelo submarino ARA San Juan. Com características operacionais singulares, o navio brasileiro pode ter papel fundamental no resgate. Entre elas estão a câmara hiperbárica com capacidade para oito mergulhadores, um veículo de operação remota com câmeras de vídeo, manipulador e sonar.

*Com Informações das Agências Internacionais de notícias
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