segunda-feira, 31 de julho de 2017

Próxima fase da atuação das Forças Armadas terá foco no combate às armas, Arsenais do crime estão na mira dos militares

Agentes federais nas rua do Rio - Luciola Villela / Agência O Globo
Por: Redação OD
A segunda etapa da atuação das Forças Armadas no Rio terá como foco os arsenais de guerra das facções criminosas. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que a primeira fase da operação das tropas federais no Rio será curta. Durante coletiva de imprensa no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), ontem, ele afirmou que a presença ostensiva dos militares nas ruas vai diminuir nos próximos dias para dar lugar a novas ações que ainda estão em fase de planejamento. Não haverá intervalo entre uma fase e outra. Dez mil homens das Forças Armadas chegaram ao Rio na última sexta-feira e ficarão até 2018.

Essa primeira fase é de curta duração. O fundamental são os trabalhos que atualmente estão sendo feitos de reconhecimento — afirmou Jungmann, que descartou ocupações permanentes de comunidades e defendeu não dar prazos para cada etapa: — Nossos objetivos estão sendo alcançados. Estamos fazendo esse reconhecimento das áreas que são fundamentais para a próxima fase. Só a inteligência permite golpear o crime organizado. Nosso objetivo continua sendo chegar ao centro de comando, aos arsenais e aos fluxos de drogas. Isso é o que importa para reduzir a criminalidade e dar uma sensação de segurança que não seja passageira, mas real.
Em maio, uma ação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do 16°BPM (Olaria), além do 22°BPM (Maré) e do Batalhão de Ações com Cães (BAC) apreendeu 32 fuzis na Cidade Alta, em Cordovil. Todas as armas traziam a inscrição “CX”, que significa “caixa”, de acordo com agentes do Bope. Segundo os policiais, os fuzis com “CX” fazem parte de um estoque dos bandidos usado apenas em invasões a territórios comandados por facções rivais, como aconteceu no local. No mês seguinte, a Polícia Civil interceptou 60 fuzis chegando pelo Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão. As armas vieram dos Estados Unidos.
Obtenção de dados
O comandante da operação “Rio quer segurança e paz”, general Mauro Sinott, explicou que o reconhecimento serve para obtenção de dados do território, que servirão de base para o planejamento de operações.
É preciso, por exemplo, saber quais acessos eu tenho para determinados locais. Para operações futuras, é fundamental eu saber como chego naquele local ou como vou bloquear aquele lugar. E o pessoal que vai trabalhar ali já pisou no terreno e já conhece seus acessos, regiões dominadas. Reconhecer é obter dados, principalmente sobre terreno — afirmou o general Sinott.
De acordo com o comandante da operação, esse trabalho está sendo feito junto com a Polícia Militar.
Não existe a ideia de chegarmos em uma área e liberar a polícia para fazer o trabalho em outro local. A polícia continua realizando seu trabalho e nós estamos juntos visando a futuras operações — afirmou. O secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, não divulgou estatísticas que mostrem redução de crimes desde a chegada dos militares, sexta-feira. Ele afirmou, entretanto, que a presença das Forças Armadas aumentou a sensação de segurança e valorizou a cooperação entre as tropas e a Polícia Militar:
Constatamos que foi extremamente salutar e positiva (a chegada dos militares). O espírito de cooperação é outro destaque, consolidando o que aprendemos desde a Olimpíada. Aproveito para dizer que vamos continuar nessa missão de forma integrada, orientando as atuações das nossas forças e das forças federais. Sá aproveitou o encontro e afirmou que pediu uma prévia dos números de letalidade violenta do mês de julho deste ano, comparado com o mesmo período de 2016. De acordo com ele, os dados até a última quinta-feira, um dia antes do início da operação, mostram que houve uma redução desse tipo de crime em relação ao mesmo mês do ano passado.
Embora altos, longe do que a gente almeja, há uma tendência de diminuição em relação ao mês de julho do ano passado. O que não significa que esteja bom. Queremos cada vez mais diminuir a letalidade — afirmou o secretário.
FONTE: O Globo
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