domingo, 18 de junho de 2017

Salvatagem - Você está preparado?

O castelo de proa, um dos locais de maior risco de possibilidade de queda ao mar.

Por: Yam Wanders.

Recentemente foi noticiada em todo o mundo a colisão entre o destróier USS Fitzgerald e um cargueiro civil no mar das Filipinas, mas não me aprofundarei nos detalhes que causaram a colisão, pois não é o foco do artigo. 
Em todo o mundo temos uma média de duas colisões por mês em mar aberto, em rios navegáveis, e dezenas em regiões portuárias, envolvendo praticamente todo o tipo de embarcação. Em quase todas essas ocorrências acontece a queda de tripulantes ao mar, e infelizmente o desaparecimento de alguns por dias ou até mesmo definitivamente, e na maioria dos casos, quem cai ao mar é sempre encontrado já morto por hipotermia, pois em águas a uma temperatura de 15°C basta a permanência por uma hora para morrer de hipotermia, ou em casos mais trágicos, são encontrados semi-devorado pela fauna marinha.




Como sempre a prevenção é nossa maior aliada para evitar esse tipo de situação, e quando for inevitável devido a acidentes, uma doutrina de porte constante de EPI e outros equipamentos de emergências é o imperativo esperado de todo tripulante ou profissional que trabalhe embarcado ou em plataformas marítimas.
Esse artigo não tem a pretensão de ser algo que supere uma instrução profissional homologada e oficial que é dada em navios ou cursos específicos de salvatagem, mas a informação é sempre importante quando baseada na experiência real e nas análises de outras ocorrências do meio naval pelo mundo. Espero que possa ser útil e que principalmente fomente a prevenção.


Os EPI e acessórios mais importantes à bordo quando embarcado

1- Conhecimento

A atenção aos briefings e outras instruções de oficiais e tripulantes mais antigos é a parte mais importante, pois um navio é praticamente um organismo vivo e um sistema complexo para leigos e navegantes de 1a viagem. Acidentes à bordo podem sempre acontecer por melhor que seja o estado e a manutenção de uma embarcação. Em caso de dúvida, jamais proceda a algo, principalmente no exterior, sem o conhecimento ou o acompanhamento de outros tripulantes.
Outro conhecimento importante é estudar o mapa de saídas de emergências da embarcação e a localização dos equipamentos de salvatagem e combate a incêndios.

2- Porte e uso de EPI

Uma vez embarcado, considero que existem pelo menos três EPI´s indispensáveis para se portar ostensivamente que são:

- Luvas anti-chamas/anti-choque. 
De um choque elétrico na estrutura interne e externa, à manipulação de ferramentas, aberturas de portas quentes devido à ìncêndios, ou apenas se manter agarrado aos anteparos ou cordas de uma embarcação, as luvas são o primeiro acessório que darão proteção para suas mãos, pois, sem elas você não faz quase mais nada.

- Óculos de proteção homologado ( jamais óculos de sol comuns de lentes de vidro).
Em caso de sinistros, desde fagulhas elétricas em alta temperatura e até mesmo objetos projetados por explosões ou outros acontecimentos, os óculos são essenciais para preservar a sua visão.

- Colete salva-vidas auto-inflável homologado.
Dispensa maiores explicações, afinal nadar bem é para os peixes e flutuar bem no mar é para os pássaros marinhos...

- Macacão operativo e/ou vestimentas com tratamento anti-chamas/anti-estático (facultativo).
Facultativo pois nem todos trabalham em áreas sujeitas às eventualidades de choques elétricos e altas temperaturas/fogo iminente.
Porém uma vez à bordo, existindo a disponibilidade desse tipo de EPI, que se use sem preocupação com a estética.

3- Ter acessórios importantes à mão

- Lanterna.
Pois a luz pode sofrer interrupções à bordo, independente do bom funcionamento e boa manutenção da embarcação.
Imagine-se no porão de uma embarcação de médio a grande porte, e, ter que se deslocar  até o passadisso sem iluminação.
Outro fator importante é que as lanternas, as pilhas ou baterias sempre sejam checadas antes do embarque.

- Apito para anúncio de emergências e/ou localização.
Sua garganta é frágil e jamais terá a mesma potência em decibéis de um apito qualquer por pior que seja, não importa se você está em um compartimento fechado ou em uma eventual queda ao mar. Sempre e em qualquer lugar do mundo o forte silvo de um apito é considerado como sinal universal de emergência. Na indisponibilidade de um apito, pode-se usar uma tampa de caneta, capsula de munição ou qualquer tubo de pequeno diâmetro encontrado.

- Material de hemostasia imediata.
Um bom absorvente, um pequeno maço de gaze ou lenço não ocupam espaço em bolsos e são importantes quando ocorrem ferimentos que provoquem sangramento intenso. Dependendo do local do sangramento ou do tamanho do ferimento, pode-se perder até um litro de sangue facilmente em questão de segundos, provocando assim um choque hipovolêmico que cause danos severos ou até mesmo a morte para indivíduos de físico mais frágeis.
Um moderno colete de sobrevivência customizado, com o colete flutuador, bolsos de EDC, IFAK e acessórios diversos. O conteúdo pode variar de configuração dependendo da missão.

Podemos listar uma série de outros materiais com exemplo, mas tenhamos a consciência de que cada embarcação e cada missão em suas particularidades e para isso é indispensável o conhecimento e treinamento antes do embarque e durante a permanência à bordo.
Bom censo e seguir à risca os procedimentos e orientações da tripulação preserva a vida e não faz mal a ninguém!

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